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Wednesday, March 08, 2006

Professor Luizinho também escapa da cassação

Professor Luizinho também escapa da cassação
O ex-líder do governo na Câmara é quarto deputado acusado de envolvimento no esquema do mensalão a ser absolvido


Dida Sampaio/AE

Brasília - O ex-líder do governo na Câmara, deputado Professor Luizinho (PT-SP) livrou-se de ter seu mandato cassado por envolvimento no esquema do mensalão. Ao todos votaram 449 deputados, dos quais 253 foram contra a cassação, 183 a favor, 10 se abstiveram e três votaram em branco. Horas antes, foi a vez do deputado Roberto Brant (PFL-MG) ser absolvido da perda de mandato, por mais de cem votos de vantagem.

Em ambos os casos o plenário da Câmara contrariou a decisão do Conselho de Ética. Luizinho é o quatro é o quarto deputado absolvido. Os outros são: Sandro Mabel (PL-GO), Romeu Queiroz (PTB-MG), além de Brant.

Professor Luizinho terminou seu discurso de defesa reafirmando que não deu autorização para que um assessor sacasse dinheiro de contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.

Ao concluir sua defesa, os presentes, em sua maioria petistas, aplaudiram o parlamentar, reação igual a manifestada para o deputado Roberto Brant (PFL-MG), que hoje conseguiu escapar da cassação.

Ao contrário do que ocorreu no julgamento do pefelista, os deputados evitaram arriscar o resultado do destino de Professor Luizinho. Ele passou o dia visitando parlamentares em seus gabinetes.

Muitas versões

O petista é acusado de receber R$ 20 mil do esquema de caixa 2 operado por Marcos Valério. O assessor parlamentar do deputado, José Nilson dos Santos, sacou o dinheiro em 23 de dezembro 2003, na agência do Banco Rural da avenida Paulista, em São Paulo.

Quando a CPI dos Correios recebeu documentos do Banco Rural, o nome José Nilson dos Santos constava da relação de sacadores. A chefe-de-gabinete do deputado, Rosana Lima, disse que a pessoa que aparecia na lista não era o assessor. "Os documentos não batem. Não têm nada a ver com o José Nilson do escritório", disse ela.

No dia 23 de julho de 2005, a assessoria de imprensa do deputado deu a versão de que o verdadeiro sacador era um homônimo de José Nilson, mas Luizinho admitiu que a pessoa que foi ao caixa do Rural era mesmo seu assessor: "Ele (Nilson) me ligou dizendo que não tinha nada com o saque. Eu pedi para verificar a documentação, inclusive o RG dele, e verifiquei que o número é o mesmo que consta da autorização do banco."

Mentira

Em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, no dia 9 de novembro de 2005, o deputado afirmou que o repasse da quantia foi fruto de um acordo entre José Nilson e o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, sem seu conhecimento. Mas o relator do processo, Pedro Canedo (PP-GO), entendeu que Luizinho "tentou enganar o conselho", ao insistir que o assessor negociou diretamente com Delúbio. "Minha concepção é de que o deputado Professor Luizinho mentiu e mentira é falta de decoro parlamentar", disse o relator, que recomendou a cassação do deputado.

Depois da leitura do relatório favorável à cassação, no dia 19 de janeiro de 2006, o deputado petista protestou contra o parecer: "Não pode dar pena de morte para quem bate uma carteira e para quem assassina." Ao perceber que parecia admitir alguma culpa, imediatamente ele acrescentou: "Ou para alguém que passou na rua e foi confundido. Eu fui confundido."

O Conselho de Ética aprovou por nove votos a favor e quatro contra o relatório que pediu a perda do mandato do deputado, eleito com 142.812 votos.

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